Tanta gente, tantos rostos. Todos passam e me olham. Passam, mas não me enxergam. Vejo tudo, sempre quieto. Vejo tudo, sem mudanças. Risadas, cigarros, cafés e mulheres. Nada mais é bom. O sexo é bom, mas não trás aquilo de que sinto falta. Nem a melodia de um belo violino, tão majestoso e melancólico, me trás um bom sorriso. Livros, um homem, seu irmão e seu sobrinho. Tudo parece preto e branco. Não há cores. Há pessoas, atitudes, barulhos e figuras. Leio textos, vejo números. Faço contas, e vou passando. Passo, olho, e nada de mudanças percebo. Vejo aquela moça. Alguém que me mostrou ser verdade o que eu achava que era mentira: é possível dar tudo a uma mesma pessoa, e roubar tudo de volta num piscar de olhos. Um fechar de olhos que ao passar parece que passou uma vida, que tudo mudou. Que você nunca teve nada, e só o que apareceu foi uma nova infelicidade. A vida passa. Em preto e branco.
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